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E aí, qual vai ser? Precisamos conversar sobre o aumento de consumo de álcool entre as mulheres.

Uma música que tem bombado nas redes sociais traz o seguinte dilema:

“Eu achei que eu bebia bem
É, mas estava errado
Se envolvi com a mulher que bebe dobrado
Não aguentei o embalo
Ela não tira o copo da mão
Cachaça é no gargalo
Pra mim não dá, não

Mulher, toma uma decisão
Toma uma decisão
Ou vai morrer de cirrose
Cachaça não é água, não

Mulher, toma uma decisão
Toma uma decisão
Ou vai morrer de cirrose

E aí, qual vai ser?
Agora tu vai ter que escolher
Ou eu ou a cachaça
Se decide, bebê

E aí, qual vai ser?
Agora tu vai ter que escolher
Ou eu ou a cachaça
Se decide, bebê

Você tem duas opção
Amor ou o litrão
Ser feliz ao meu lado
Ou viver na solidão…”

Infelizmente, não sabemos se a arte imita a vida ou a vida imita a arte, mas essa realidade tem se tornado cada vez mais frequente no Brasil. Segundo o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), 2012. O beber em binge (beber 5 doses ou mais, no caso de homens, e 4 doses ou mais, no caso de mulheres, em uma mesma ocasião num intervalo de até 2 horas) tem aumentado, particularmente, na população feminina. Em 2006, 45% dos não abstinentes declararam ter bebido em binge alguma vez nos últimos 12 meses – em 2012 subiu para 58% a prevalência do beber em binge na população de bebedores; aumento de 13 pontos percentuais. Entre as mulheres o crescimento foi de 14 pontos percentuais (passando de 34% para 48% em 2012).

Nas mulheres ocorre o chamado EFEITO TELESCÓPIO: iniciam o consumo de álcool posteriormente  aos homens, mas levam menos tempo para se tornar dependentes e desenvolvem problemas clínicos precocemente.


Mais vulneráveis a problemas com álcool

Por produzirem  quantidades menores de uma enzima chamada álcool desidrogenase (ADH), que é liberada pelo fígado e usada para metabolizar o álcool. Além disso, a gordura retém o álcool, enquanto a água ajuda a dispersá-lo. Devido aos seus níveis mais altos de gordura e mais baixos de água no organismo, as mulheres apresentam maior risco de uma resposta fisiológica mais problemática.

Além disso, sabemos que outras complicações psiquiátricas  e problemas na vida podem estar associadas ao consumo de álcool por mulheres:

  • Alcoolismo associado ao uso de anfetaminas e tranquilizantes
  • Transtornos alimentares
  • Maiores taxas de tentativas de suicídio
  • Maior tendência a união com homens DQ
  • Principal motivo de iniciação no consumo é o relacionamento íntimo com um abusador da subst.
  • Iniciação se dá mais por fatores ambientais que genéticos

Diante de todos esses riscos e complicações, fica a pergunta para as mulheres, e para a sociedade em geral: E AÍ, QUAL VAI SER ?

Referências:

Ribeiro, J.A.M, Transtornos relacionados ao uso de álcool em mulheres: impacto nos circuitos integrativos e de neurorregulação do estresse, 2017

Filgie, NB, Aconselhamento em Dependência Química 2010

Diehl, A. Dependência Química: Prevenção, tratamento e políticas públicas, 2010

Laranjeira R. II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD)., São Paulo: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas de Álcool e Outras Drogas (INPAD), 2012.

Eduardo Bacelar Almeida
Médico -Psiquiatra, CRM:11497, RQE 7351