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Sabemos que muitos pacientes apesar de enormes prejuízos causados pelo uso de substância apresentam uma resistência em procurar um tratamento psicológico e psiquiátrico, seja ele regime ambulatorial ou em ambiente de internação. Então como “convencer” esses pacientes a realizarem um tratamento?


Talvez, um dos fatores que dificulta o engajamento do paciente no tratamento seja justamente esse: tentarmos “convencer” o paciente de que ele precisa de tratamento. Muitas vezes familiares e até profissionais no intuito de tentar fazer com que o paciente perceba os prejuízos que a dependência química trouxe à sua vida, começam a confrontar o paciente em relação ao seu uso de substâncias e explicitar os que a mesma já causou. É nesse ponto que parece que nada que falamos ajuda o paciente a perceber a realidade difícil em que ele se encontra. O que muitas vezes acontece é de o paciente assumir um modo defensivo, no qual basicamente ele só rebate os argumentos trazidos pelas pessoas que estão tentando ajudar apontando os prejuízos que a adição vem provocando. Estudos recentes apontam que quando a pessoa se sente coagida a agir, ela tende a resistir à mudança.


Existe uma abordagem psicológica chamada entrevista motivacional na qual busca evocar as motivações internas do indivíduo para promover a mudança no comportamento adictivo. A partir daí a própria pessoa começa a perceber e evocar os prejuízos no qual ela está imersa. O intuito da entrevista motivacional não é persuadir o paciente a realizar a mudança, mas trabalhar colaborativamente, de uma forma bastante empática, avaliando valores, levando em consideração as experiências próprias da pessoa, através de um ambiente de aceitação e compaixão, buscando dessa forma desenvolver no paciente o seu discurso automotivacional.

O profissional ajuda o indivíduo a explorar formas de realizar mudanças significativas em sua vida. A entrevista motivacional trabalha a perspectiva do próprio indivíduo, desenvolvendo um ambiente em que ele mesmo evoque seus motivos e argumentos para a mudança no seu comportamento aditivo. Muitos autores costumam fazer a analogia da entrevista motivacional com uma dança. Assim como na dança, durante o atendimento o terapeuta ajudaria a conduzir o seu parceiro, estando próximo e em sintonia com o mesmo. A entrevista motivacional vem ganhando muito foco desde a década de 80 quando a abordagem começou a se desenvolver e hoje em dia cada vez mais estudos têm trazido evidências que comprovam a eficácia dessa abordagem em aumentar a motivação do paciente para o tratamento da dependência química.


O que sabemos é que não existem medidas simples para ajudar pessoas a mudarem seus comportamentos, porém existem algumas abordagens que quando realizadas por profissionais qualificados podem aumentar consideravelmente a motivação para que o paciente tome uma decisão em relação a mudança de comportamentos aditivos.